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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O DEUS QUE INTERVÉM NA HISTÓRIA



 Lição 3 – O Deus que intervém na história

OBJETIVOS 
Conhecer o sonho perturbador de Nabucodonosor.
Analisar a atitude sábia de Daniel perante o rei.
Compreender a interpretação do sonho de Nabucodonosor.

INTRODUÇÃO
Palavra Chave: Intervir. Interpor autoridade, usar de poder de controle (sobre).

Nesta lição estudaremos o capítulo 2 do livro de Daniel, aprenderemos sobre o plano de Deus para os judeus e gentios.

Deus revelou a Daniel, através de um sonho que Nabucodonosor tivera por volta do ano 604 a.C, o qual dava conta de acontecimentos futuros, envolvendo os Impérios mundiais, inclusive o Reino Messiânico.

Após a interpretação do sonho dada por Daniel ao rei, vimos Deus intervindo na vida do profeta e de seus companheiros judeus (Sadraque/Hananias, Misael/Mesaque e Azarias/Abede-Nego), protegendo-os da morte.

Deus ainda mostra que só Ele é o único Deus verdadeiro, é Ele quem constitui as autoridades para governar a Terra.


I. O SONHO PERTURBADOR DE NABUCODONOSOR (Dn 2.1-15)
1. O tempo do sonho (v.1)
 O versículo um inicia com a expressão "E no segundo ano do reinado de Nabucodonosor [...]", causando assim uma possível contradição com o (cap. 1.5,18,19), tendo em vista que Daniel já estava no palácio real havia três anos conforme referência (1.18,19), portanto, sob o domínio de Nabucodonosor.  


Entretanto, para esclarecer a sentença, temos a seguinte explicação: Tanto os judeus quanto os babilônicos contavam as frações de um ano como ano inteiro. Por isso, a vigência do "terceiro ano" para os judeus equivale ao "segundo ano" do reinado de Nabucodonosor no sistema babilônico. Em outras o "segundo ano" do reinado de Nabucodonosor equivale dizer  "o fim dos três anos" de treinamento de Daniel. 

2. A habilidade dos sábios é desafiada no palácio (2.2).
Desde os primeiro reis do oriente, era comum adotarem como seus conselheiros os magos, astrólogos, encantadores ou feiticeiros (Gn 41.8,24; Ex 7.11), no caso de Nabucodonosor encontramos a palavra caldeus.

Caldeus. Pessoa ou povo da Caldéia (Jr 51.35), Cidade localizada na parte Sul da Babilônia, cujo idioma seria o aramaico ou um próximo deste (1.4; 2.4).

Nabucodonosor também foi chamado de caldeu (Ed 5.12).

Na referência (2.2) os caldeus ocupam a mesma posição dos sábios conselheiros do rei.

Os sábios foram convocados por Nabucodonosor não apenas para interpretar um sonho, como fez Faraó no Egito (Gn 41.8) com os seus sábios, mas para que eles falacem o sonho e em seguida o interpretassem (2.6).   

Nos versículos seguintes veremos o resultado dessa reunião.

3. O fracasso da sabedoria pagã (2.3-13).
O rei Nabucodonosor desafiou os seus sábios a lhe declararem o que ele havia sonhado e em seguida interpretar o sonho, caso não ocorresse nesta ordem, seriam exterminados.

2.5 Uma coisa e certa... (ARA) A tradução que diz: o que foi me tem escapado é errada, e não explica o verdadeiro motivo do rei. Bíblia de Estudo SHEDD, ARA, pg. 1227. 

Ocorre que o sonho era tão importante para ele e seu império, que a única prova da exatidão das interpretações, estaria no fato de os sábios contarem primeiro o sonho (v.9), seria a prova que sua interpretação estaria correta.

Ao analisarmos a expressão “o que é me tem escapado” (ARC). Subtende que Nabucodonosor propôs um teste aos seus sábios, a fim de comprovar se de fato eles teriam conhecimento das coisas ocultas, o que é logo declarado a Nabucodonosor, que tal conhecimento não estaria ao alcance dos mortais, ou seja, ao alcance dos homens (v.10,11).

Diante das duas traduções podemos ver que não se alterou o núcleo da situação, pois os sábios não tinham capacidade de revelar o oculto, ou seja, eles fracassaram juntamente com seus deuses falsos.

Diante de tal fracasso, Nabucodonosor se enfureceu e decretou, através de documento oficial, que fossem mortos todos os sábios da Babilônia, inclusive Daniel e seus amigos.

Apêndice
Do (2.4) até o fim do cap 7 do livro, Daniel escreveu em aramaico e não em hebraico. Bíblia de Estudo de Genebra, ARA, pg. 985. 


II. A ATITUDE SÁBIA DE DANIEL (2.16-30)
1. A cautela de Daniel (vv.16-18).  
- Daniel demonstra cautela desde o momento que conversa com Arioque, encarregado do rei, pois falou com ele prudentemente, isso denota a sabedoria que o servo de Deus deve ter para resolver as crises que nos envolve diretamente com os ímpios, seja no serviço, no trânsito, em alguma repartição publica, temos que demonstrar sabedoria e sobriedade (Gl 5.22).

Estratégia de Daniel
a) Daniel entra na presença do rei com humildade e confiança no Deus de Israel e, com sabedoria lhe pede um tempo, até que recebesse de Deus o conteúdo do sonho e sua interpretação.

b) Convoca os seus amigos, que igualmente corriam risco de vida e eram servos do mesmo Deus, juntos, uniram-se em um só propósito (v.17,18).

Aplicação pessoal
- Devemos ter uma vida de confiança em Deus (v.16);
- Há momentos de crise que exigem de nos unirmos em oração (v.18);
- Devemos persevera na oração até alcançarmos a vitória (v.19);
- Através da oração Deus revela mistérios ocultos (Jr 33.3).

2. Deus ainda revela mistérios (vv.19-27).  

- Cumpre-se na vida de Daniel (Jr 33.3), tendo em vista que após buscarem a Deus em oração, os mistérios foram-lhe revelados.

- Daniel manifesta a sua gratidão a Deus e O exalta por tão grande misericórdia.
- Sendo Deus Onisciente, sabedor de todo conhecimento, revela a Daniel o conteúdo do sonho e seu significado.

- Só  Ele pode perscrutar a mente do homem e revelar os seus segredos e sentimentos mais secretos dos homens (Rm 2.16).  

- Sabemos que há um Deus no céu que revela mistérios (v.28).


3. O caráter profético do sonho de Nabucodonosor (vv.28,29).
- Deus mostrou que o sonho do rei se referia a Babilônia, bem com aos acontecimentos futuros envolvendo outros reinos.

- Fim dos dias (ARC) ou “nos últimos dias” (ARA). É uma expressão profética que se refere ao futuro, que iniciou a partir do seu cumprimento em Babilônia até o período messiânico, o tempo de Cristo, incluindo-se as duas vindas havendo a dispensação da graça entre elas.

- Daniel atribui toda honra e toda glória ao Deus do céu (v.29).

Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele, eternamente. Amém” Rm 11.36.


III. DANIEL CONTA O SONHO E INTERPRETA-O (2.31-45) 
Aqui nós temos a primeira contribuição profética do livro de Daniel (2.37-44) – tempos dos gentios.

A segunda contribuição profética do livro está no (9.24-27), as setenta semanas, que pode ser chamada de o “calendário judaico das setenta semanas ”.

Com essas contribuições proféticas, favoreceu o discernimento do programa profético divino, dentro de uma cronologia tanto para Israel quanto para os gentios.

1. A correta descrição do sonho (vv.31-35).
- O sonho do imperador babilônico era profético, trata-se do curso da história mundial.

Descrição do sonho
Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua: esta estátua, que era grande e cujo esplendor era excelente, estava em pé diante de ti; e a sua vista era terrível.

A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre;

As pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro.

Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e a esmiuçou.

Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o cobre, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se fez um grande monte, e encheu toda a terra.

- Os quatro impérios pagãos, mencionados simbolicamente, já existiram, o que comprova a veracidade da narrativa de Daniel. Todavia, a visão da “pedra que foi cortada, sem mãos”, isto é, sem mãos humanas, ainda não se cumpriu, pois se trata do reino universal de Jesus Cristo que ainda não foi literalmente estabelecido.

2. A interpretação dos elementos materiais da grande estátua (2.34-45).
a) “A cabeça de ouro” (vv.32,36-38). Exemplificava o reino da Babilônia. Nabucodonosor a governou por 41 anos e a transformou no império mais poderoso da época (605 – 539 a.C).

b) “O peito e os braços de prata” (vv.32,39). Trata-se do império Medo-Persa. Os dois braços ligados pelo peito representam a união dos Medos e dos Persas (539 – 331 a.C).

c) “Ventre e os quadris” (vv.32,39). Retrata o império Grego. Foi Alexandre Magno que dominou o mundo inteiro constituindo assim um dos impérios mais extensos na história da humanidade até a sua morte prematura (331 – 146 a.C).
d) “Pernas de ferro” (vv.33,40-43). Refere-se ao último império da história, o romano. Os pés de ferro e barro indicam a fragilidade deste império (146 – 476 d.C).


3. “A pedra cortada, sem ajuda de mãos” (2.45).
Esta “pedra” representa o reino de Cristo intervindo nos reinos do mundo. Cristo é a pedra cortada que desfará o poder mundial do Anticristo (Dn 2.45; Sl 118.22; Zc 12.3).

A pedra cortada vinda do monte significa, figuradamente, a vinda do Rei esmiuçando o domínio imperial e pagão deste século (Dn 2.44,45). Cristo é quem regerá as nações para sempre!

CONCLUSÃO 
O livro de Daniel nos mostra o compromisso de um homem que se dispõe a servir a Deus, mantendo a sua integridade moral e espiritual sem fazer concessões ao sistema idólatra e opressor da Babilônia. Aprendemos igualmente que a história humana não é casual, mas dirigida pelo Deus soberano, que faz todas as coisas contribuírem para o bem daqueles que amam ao Senhor.

Por Alan Fabiano.

Bibliografia. 
Bíblia de Estudo SHEDD - ARA.
Bíblia de Estudo Plenitude - ARC.
Bíblia de Estudo de Genebra - ARA. 
ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento. 1ª Edição. São Paulo, SP: Vida, 2007.
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. 7ª Edição. São Paulo, SP: Vida, 2000.
KASCHEL, Werner e ZIMMER, Rudi. Dicionário da Bíblia de Almeida. 1ª Edição. Barueri, SP: SBB, 1999. 

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